Nessa madrugada fria, debaixo do meu cobertor e sem sono, uma nostalgia me invadiu. Lembrei-me dos meus 13 anos, quando eu era uma menina doce, meiga, ingênua e muito tímida.
Naquela época, todas as minhas amigas já tinham namorado, mas eu ainda não tinha coragem nem mesmo de olhar para alguém por mais de alguns segundos. Eu também sonhava com o meu primeiro beijo, como em um romance, mas a timidez me impedia.
Um dia, conheci um garoto um tanto popular e suspirei por alguns minutos, sentindo que era amor à primeira vista, pelo menos foi o que eu pensei na época.
Minha melhor amiga, a quem chamarei de Eloise (porque gosto desse nome), sentir que eu estava apaixonada e fez de cupido para nos aproximar. Assim, aconteceu. Não houve fogos de artifício, mas tinha céu estrelado e amigos como plateia gritando (finalmente!) fizeram o cenário perfeito. Ao som de Rouge "não dá para resistir", finalmente dei o meu primeiro beijo.
Por ser muito tímida, ficou apenas no primeiro mesmo. Ele tentou várias vezes um segundo encontro, mas minha vergonha era maior e dando vivia desculpas para não vê-lo.
Enquanto tentava criar coragem para aceitar o convite do segundo encontro, minha ingenuidade me fez passar horas enchendo-o de atributos para Eloise. Eu vivia falando o quanto estava apaixonada pelo meu primeiro namorado e ela falava que estava pensando em terminar com o namorado dela porque estava apaixonada por outra pessoa. Incentivei-a a seguir seu coração, afinal, não fazia sentido ficar com alguém pensando em outro.
Depois que ela terminou com o namorado, fiquei saltitando de felicidade, embora triste pelo ex dela, afinal, agora ela poderia ficar com quem realmente queria. Mas a felicidade foi momentânea, porque logo ela disse que não seria possível, pois o menino que ela queria não queria ela, já que gostava de outra.
A situação ficou mais complicada e confusa. Enquanto ela falava do menino que estava gostando e eu do menino que estava gostando, parecia que estava falando da mesma pessoa. Até que Eloise me permitiu contar quem era o menino misterioso que ela amava.
Sim, ela estava gostando da mesma pessoa que eu. Naquele momento, meu coração parou por alguns milésimos de segundos, simplesmente paralisei, senti minhas lágrimas caírem no chão.
Fiquei triste não por ele, mas por causa de minha amiga em quem eu confiava e amava tanto. Ouvi tudo o que ela tinha para me falar, respirei fundo, tentando assimilar o turbilhão de sentimentos. Depois que o furacão dentro de mim me acalmou, pude pensar com mais clareza.
Lembrei-me dos bons momentos que passamos juntos e sublinhei as lembranças de que ela sempre esteve lá para mim quando precisava. Pensei: "Como não perdoá-la por um deslize momentâneo, quando a nossa amizade é tão forte?"
Conversei com Eloise e, juntas, chegamos à conclusão de que não valia a pena colocar nosso relacionamento em risco por um menino que a pouco tem nem mesmo sabíamos que existia. Decidimos que nossa amizade era muito mais importante do que um possível relacionamento com ele.
Com o tempo, a paixão por ele foi se dissipando e percebi que meu amizade por Eloise era muito maior do que qualquer sentimento por um menino. Ela continuou sendo minha amiga e, juntas, passamos por muitas outras aventuras, risadas e momentos inesquecíveis.
Hoje, olhando para trás, vejo que aquela fase da minha vida foi importante para aprender sobre amizade e autoconfiança. Entendi que a timidez pode ser um obstáculo, mas que podemos superá-la com coragem e apoio de quem amamos. E, acima de tudo, aprendi que a verdadeira amizade é capaz de superar qualquer desafio.
Com amor, Gessica Aguiar.

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